sábado, 24 de setembro de 2011

USANDO MÁSCARAS

Hoje recebi uma agradável visita de uma amiga para papearmos um pouco, falar de imóveis (como sempre), colocar as boas e as más novas em dia e pela correria dela interrompemos a conversa, após um cafezinho, e depois que ela se foi continuei pensando na prosa.


Falávamos sobre as “máscaras” que insistimos em usar no dia-a-dia.



Depois de alguns acontecimentos no trabalho de seu marido, ela me dizia, estava com imensa dificuldade de alterar os planos previamente traçados pela família.



Claro que tive que dar o meu “pitaco” onde não fui chamada e lhe falei que mudar os planos “originais” é o que mais temos feito aqui em casa na última década e sei que continuaremos a mudar e a nos adaptar um pouco a cada dia.



O quanto nossa vida mudou nos últimos 10 anos!


Como aceitar cada situação inesperada que nos acontece?

Mudar totalmente o rumo, perder a direção sem se perder pela vida?

Não estou vendendo aula de auto-ajuda, até porque minha personalidade absolutamente “surtada” continua firme e forte dentro de mim.


Acostumamo-nos a estar sempre bem, principalmente para os outros. Precisamos tanto vestir esse personagem, que nos tornamos ele.

Super-heróis de nosso filme, resolvendo tudo o que apareça pela frente.


Foi sendo “super” que recebi meu primeiro “chacoalhão” (não sei se existe essa palavra), justo eu que resolvia qualquer parada que pintasse...


Lidar com as noticias e prognósticos, doenças inesperadas que me atingiram e a meu filho mais novo, ser cadeirantes, creiam, não era nem de perto o maior dos nossos problemas. 10 anos mudam tudo.


Da pessoa que eu era, que andava, adorava dirigir, ficava pelo menos 12 horas fora de casa todo dia.

Da família que formávamos, 3 filhos estudando, um marido que passou a se dedicar ao filho mais novo.


Tudo e todos mudaram, sofreram, quase se perderam, quase nos perdemos. Será que chegaríamos aqui se as coisas tivessem acontecido de outra forma?

Com certeza não.


Voltando ao meu papo com a amiga, contei para ela que nesse último ano, tivemos um aumento das dificuldades físicas tanto para mim quanto para o Fábio, reorganizando a rotina de todos, para que sempre um deles estivesse perto de nós para eventual necessidade, abrindo mão de saídas noturnas com amigos, aceitação e apoio das namoradas, enfim, cada um fazendo a sua parte.


Apesar de tudo isso, estamos vivendo um momento da conquista de um “sonho”, que sou obrigada a admitir, só aconteceu porque tudo é exatamente como tem que ser.

A boa nova é que meu filho mais velho, além de estar dirigindo a imobiliária, acaba de entrar para o setor de construção civil (aos 25 anos), o que sempre foi um grande sonho que vislumbramos ser uma coisa muito distante de nossa realidade.

Tirando As Máscaras


Cada um tem sua história e a oportunidade de transformar cada dia em uma aventura diferente, cada tribulação em um motivo para aceitar as mudanças que vão surgindo a nossa frente a cada instante.


Nossa história não poderia ser diferente, somente quando paramos de lutar contra as dificuldades e unimos nossas forças para vencer juntos, por uma razão maior, é que encontramos sentido e direção para cada um de nós.


Para pessoas controladoras como eu, o grau de dificuldade aumenta. Vejo que ainda quero que muitas coisas sejam feitas “exatamente como eu faria”, apesar de não poder mais fazer – dá para suportar isso?!


Mas hoje, a certeza que o controle de tudo não está em minhas mãos, me dá a tranqüilidade para aceitar o que estiver por vir. Tenho plena consciência que estar aqui em casa, trabalhando menos, dividindo as responsabilidades com minha família, deixando o escritório andar sem a minha presença e contando principalmente com a força e a juventude do meu filho mais velho, tem como resultado o que procurávamos por muitos anos – cumplicidade, harmonia e realização para cada um de nós.


Quando deixamos de ser “super” podemos pedir ajuda e mais que isso, podemos aceitar ajuda.


Quando somos nós mesmos, podemos parar de pensar e nos guiar pelo sentir e quando sentimos, expressamos a verdade daquilo que realmente queremos.


Desmascarando Os Sentimentos


Quando finalmente, despimo-nos da falsa armadura, conseguimos perceber a simplicidade do nosso ser espiritual. Permitimo-nos acreditar que milagres acontecem todo dia.




Que na grandeza da imensidão do universo, existimos. E que essa existência torne-se totalmente maior quando a percepção de deixar para Deus o comando dessa grande engrenagem é suficiente para encontrarmos o equilíbrio e a paz.


E mais uma vez, mentalmente, honradamente, dobro os meus joelhos, curvo minha cabeça, ergo minhas mãos e agradeço... Agradeço... E agradeço, por toda essa grandiosa possibilidade de viver e compartilhar.

7 comentários:

Paulinha Pavan disse...

Oi Marli,

Não sei se lembra de mim, nos conhecemos nos encontros do blog do Jairo e estudo Terapia Ocupacional.

Foi tão bom ler seu texto hoje. Sabe que "coincidentemente"eu tenho pensado muito sobre esse assunto, sobre usarmos máscaras. Como é cansativo sustentá-las, não é? Com o tempo, parece que a vida vai perdendo as cores, vai se tornando embotada, o peso de carregar essas máscaras é tão grande!

Ao mesmo tempo, tirá-las tb envolve um sofrimento, a dor de permitir que os outros "descubram" que somos falhas, que somos vulneráveis...

Estou vivendo essa fase... Nesse desejo de respirar um pouco, vim dar uma passada pelo blog, sempre tão cheio de poesia de realidade. Não poderia ter feito escolha melhor :)

Obrigada pelo texto... Muito bom saber que não estamos sozinhos nessa. Espero rever vcs em breve!

Um grande beijo!

Paulinha Pavan.

Marli Cassiano disse...

Oi Paulinha,

Que gratificante alguém ter entendido a "piração" da minha cabeça.
Há muito tempo queria falar sobre isso. Como trabalho com imóveis, as negociações são todas em torno do dinheiro, porém quando se trata com as pessoas envolvidas, a gente consegue ver nitidamente quantas máscaras usamos para nos manter no controle, no poder, mesmo quando precisamos muito fazer uma negociação.

É fácil perceber quando nos olhamos no espelho e nos perguntamos - Estou feliz? Faço o que gosto? Mostro meus sentimentos?

Um livro maravilhoso que pude conhecer, "O Cavaleiro Que Ficou Preso na Armadura", traduz a metáfora da armadura que de tanto usarmos, acabamos por ser aprisionados por ela. Se tiver oportunidade de ler, tenho certeza que vai adorar.

Obrigada pelo comentário. Espero que possamos nos rever brevemente.

Beijos,

Marli

Thaís Naldoni disse...

Ô mulher!!!!! Saudade te ler!!!! Como vocês estão??????
Beijos...

Fatima Leite disse...

Oi Marli,
Que bom que estou tendo a oportunidade de conhecer você. Este ser tão forte e com tanta lucidez e tanta consciência... É um privilégio pra mim... Sinta um abraço do coração, que lhe transmita Paz, Luz e Amor... Fátima Leite

Marli Cassiano disse...

Oi Fátima,

Agora já estamos conectadas!
Na net temos oportunidade de deixar as palavras fluirem de maneira natural e de alguma forma trocar alguma coisa com quem está lendo.
Obrigada pelo comentário...

Beijos,

Marli

Marli Cassiano disse...

Oi Thaís,

A saudade é minha...
Foram tantos momentos que passamos durante esse ano, e tão rápido.
Ainda tenho na memória os 2 encontros que tivemos em SP.
Não foi tempo de muita aventura, ao contrário, aprendizado, tolerancia, recuperação e adaptação.
Apesar de tudo isso, agradeço a Deus pela oportunidade de estar melhor.
Espero que voces estejam bem e com a vida cheia de prosperidade e alegrias.

Beijos,

Marli

Lia disse...

Olá, gostei muito do seu post e da sua sinceridade sobre si mesma. Realmente é muito dificil aceitarmos as coisas diferente do que gostaríamos que fosse, e o mesmo acontece com nós mesmos, não nos aceitamos como somos e as vezes sem querer usamos máscaras para nos proteger da verdade. Mas isso pode ser superado quando colocamos o amor pela vida e por nós mesmos na frente de nossas prioridades! Boa Sorte. Abraço. acasadalagarta.blogspot.com